Eu amo o outono. Com certeza é minha estação favorita.
Não é quente nem fria de mais. É a estação do meu nascimento e tem algo no ar
do outono que mexe comigo. Você já teve a sensação quando passou por alguma rua,
ou quando viu o céu do fim de tarde, que te fez retornar para um lugar
específico e que te trouxe os mesmos sentimentos daquele lugar específico?
Vou ser mais clara em breve, fica aí.
Eu tenho uma mãe que é uma avó maravilhosa. Mas eu tive a
sorte de ter outras duas “mães”. Calma, prometo que vai fazer sentido no final.
Minha mãe me ganhou bem nova e quando isso aconteceu ela
morava com a minha avó, meu avô e a irmã dela que virou minha madrinha, ou como
falamos aqui no Sul, minha dinda. E desde criança sempre brinquei que tinha
três mães porque todas juntas me criaram, a mãe, a dinda e a vó.
A Dinda, que não está mais aqui, era a minha pessoa no
mundo. Ela é minha referência de mãe mesmo sem ter gerado uma vida. Talvez ela
seja minha referência ainda mais por esse motivo. Afinal pais são os que criam
e amam, disso eu sei.
Ela era amável, responsável, cuidadosa e paciente. Foi
professora, amiga e cozinhava como ninguém. Sabe quando as pessoas falam sobre “comida
de mãe”? Essa era a comida dela.
Ela me levava para a escola e olhava meus cadernos. Fazia
meus aniversários com temas e decorações diferentes todos os anos. Ela era
apaixonada por comemorações, por isso sempre tinha toalha especial nas mesas de
Natal, Páscoa e aniversários de todos lá em casa. Sempre tinha um bolinho para
os parabéns e dizia: Vamos fazer nem que seja só um bolinho para não passar em
branco. Mas nunca era só isso heheheh.
Ela fazia praticamente as mesmas coisas todos os dias, os
mesmos cuidados e trabalhos que nós mães fazemos e às vezes ficam escondidos na
rotina.
Como falei, era professora do Jardim B. Foi prof toda a
sua carreira profissional e quase toda na mesma escola. Muitos desses anos
trabalhou a tarde. Então por volta das 17h chegava da escola. Sentava um
pouquinho, contava sobre o dia e ali por 18h me chamava para ir no mercado
comprar pão para o café.
Íamos num mercado que ficava a mais ou menos quatro
quadras de casa. Passávamos pelos vizinhos da nossa rua, pelo Correio, pela
Caixa Econômica Federal, pela Praça e pela Igreja. O céu era de fim de tarde,
meio alaranjado, com uma brisa fresca e na volta cheirava a pão francês recém
saído do forno. E é aí que entra o outono.
Às vezes do nada quando ando pela rua ou vejo o céu do
fim de tarde, sou transportada para aquela ida ao mercado. Sinto os mesmos sentimentos
toda vez, de que, a vida é boa, de que os dias comuns são especiais de um jeito
só deles, de que as conversas triviais carregam pequenos cuidados com aqueles
que vivem conosco, de que Deus é bom o tempo todo como se diz por aí.
Esse era o meu momento com a Dinda. Você talvez tenha
esse momento com a sua mãe e nem se deu conta. Será? Eu não sei qual vai ser o
meu momento com a Joana. Qual ela vai se lembrar e ter na memória. Talvez nem
seja o mesmo meu. Não tem problema. O que eu sei é que eu quero dar a chance de
ela ter esse momento. Assim como eu tenho e às vezes revivo, a ida ao mercado
no fim da tarde com a Dinda.
Obrigada á todas as mães por momentos como esses e que nós como mães consigamos ser importantes e especiais para nossos filhos, assim como, a Dinda foi para mim.
Comentários
Postar um comentário